Os irmãos
Lumière usaram o seu cinematógrafo apenas para documentar a vida de todos os
dias. O operador de teatro francês Georges Méliès, por outro lado, compreendeu
o potencial da nova tecnologia com a criar ilusões. Méliès criou os chamados
filmes mágicos, em que cenários ficcionais surgiram ao fundo dos estúdios. Os
seus contos de fadas, histórias de terror e de fantasmas fundavam-se na
filmagem sequencial. O filme de Méliès, “Le Voyage dans la Lune”, tornou-se um
marco do cinema em 1902 como primeiro filme longo, com cerca de 15 minutos.
Os
factores económicos revelaram-se cruciais na transformação do filme em
espectáculo de massas. Os irmãos Lumière tinham realizado os seus filmes de
acordo com a sua própria direcção, mas venderam as patentes em 1897 a Charles
Pathé, um empresário do mundo do espectáculo. Como fundador da indústria
cinematográfica francesa, este deteve uma influência considerável no comércio
internacional de filmes até ao rebentar da Primeira Guerra Mundial. A
contribuição de Pathé foi fazer com que a atracção de variedades, originalmente
reservada a muito poucos espectadores, passasse a estar acessível a um público
mais abrangente. A sua companhia, Société Pathé Frères, cobria todos os
aspectos das filmagens. Empregava realizadores, que criavam dez novos filmes
todas as semanas nos estúdios que eram propriedade da companhia. Pathé comprou
câmaras e projectores e operou em 200 salas de cinema na Bélgica e em França.
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